A Amazon declarou que sua constelação Amazon Leo já reúne 396 satélites em órbita baixa, depois do lançamento de 29 unidades na madrugada de 2 de julho, às 00h30 EDT, por um foguete Atlas V 551 da ULA a partir da Estação da Força Espacial de Cabo Canaveral, na Flórida. Com a massa orbital alcançada, a empresa disse estar pronta para iniciar o serviço comercial de internet via satélite ainda em 2026.
A constelação é a terceira maior em operação atualmente, atrás da Starlink, da SpaceX, que já tem cerca de 10.400 satélites em órbita. O Amazon Leo é o novo nome do antigo Projeto Kuiper, rebatizado em novembro de 2025. O marco dos 396 satélites foi divulgado pela Amazon em sua página de atualizações de missão e detalhado em reportagem do site The Register na sexta-feira seguinte.
“Atlas V teve um papel crítico na fase inicial de implantação do Amazon Leo, lançou 224 satélites com 100% de taxa de sucesso nas oito missões, e estamos animados para construir essa base com a ULA conforme migramos para o Vulcan. Com centenas de satélites prontos para voo parados no Cabo e uma nova instalação dedicada de integração vertical pronta para apoiar o Leo Vulcan 1 e missões seguintes, temos um caminho claro para aumentar a cadência de lançamento e implantação, ajudando a expandir rapidamente a cobertura da rede após o lançamento inicial do serviço ainda este ano”, disse Melissa Wuerl, diretora de Sistemas de Lançamento da Amazon.
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A missão LA-08 (Leo Atlas 8) foi a última da campanha Atlas e a 14ª do programa. Ao todo, a Amazon já voou 8 missões no Atlas V (224 satélites), 3 no Ariane 6 da Arianespace (100 satélites) e 3 no Falcon 9 da SpaceX (72 satélites). O próximo lançamento da ULA para o programa usará o foguete pesado Vulcan, com uma instalação nova no Cabo dedicada à montagem do veículo e dos satélites.
A tabela completa das missões concluídas do Amazon Leo, com todas as 14 missões, foguetes, datas e número de satélites por lançamento, está na página de atualizações da Amazon.
Amazon Leo atinge 396 satélites em órbita e se aproxima do lançamento comercial
A janela regulatória nos EUA
A licença da FCC para o Amazon Leo cobre 3.236 satélites, e a empresa precisava ter metade da constelação em órbita até 30 de julho de 2026, meta que está atrasada: com 396 satélites em órbita no início de julho, o número equivale a cerca de 12% do total licenciado. A Amazon entrou com pedido de extensão em janeiro de 2026 e foi atendida em junho, com condições ainda não detalhadas publicamente.
Distribuição no Brasil pela Sky
No Brasil, o serviço será vendido e distribuído pela Sky, do grupo DirecTV, controlado pelo Grupo Werthein, da Argentina. A chegada está prevista para 2026, começando pela região Sul e avançando em direção à linha do Equador conforme a constelação for implantada, segundo apurado pelo Teletime em novembro de 2025. O presidente da Sky, Gustavo Fonseca, já havia confirmado o acordo em encontro com jornalistas em São Paulo. O modelo de venda poderá ser avulso ou integrado a combos com conteúdo.
A Amazon promete velocidades de 100 Mbps a 1 Gbps dependendo da antena escolhida (são três opções), com latência comparável à de fibra óptica, segundo dados técnicos divulgados em 2025. Para o mercado residencial, a faixa divulgada fica em até 400 Mbps. O preço final para o consumidor brasileiro ainda não foi anunciado, e a autorização da Anatel também não foi detalhada publicamente nos materiais disponíveis.
Aquisição da Globalstar e foco em Direct-to-Device
Em abril de 2026, a Amazon anunciou a aquisição da Globalstar por mais de US$ 11,5 bilhões. A Globalstar opera 24 satélites e é a fornecedora da rede usada pelo serviço de emergência por satélite da Apple, lançado com o iPhone 14 em 2022. A compra dá à Amazon uma posição imediata no segmento de Direct-to-Device, que conecta smartphones e outros dispositivos diretamente a satélites, sem passar por antenas dedicadas.
Investimento e cronograma
O programa já tem mais de 100 lançamentos reservados com a ULA, a Arianespace, a Blue Origin e a SpaceX, em contratos que somam mais de US$ 10 bilhões. A meta declarada de longo prazo é uma constelação de cerca de 7.700 satélites. O licenciamento atual da FCC exige que a segunda metade da rede esteja em órbita até 30 de julho de 2029.






































