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Elon Musk revela seu plano para conectar cérebros e computadores

Depois de muito mistério, Elon Musk deu mais detalhes sobre o trabalho de sua menos conhecida startup, a Neuralink. Em poucas palavras, o objetivo da companhia é desenvolver um método para conectar cérebros a computadores usando sensores.

Inicialmente, a proposta é permitir que pessoas com paralisias possam controlar seus telefones e computadores.

Mas há a pretensão de se tratar doenças cerebrais, como Parkinson e Alzheimer. Musk também acredita que, no futuro, o sistema poderá preservar e aumentar a função cerebral, permitindo que os humanos tenham uma “simbiose com a inteligência artificial” e até conversem telepaticamente entre si.

Para isso, a Neuralink quer instalar quatro fios flexíveis de eletrodos, menores que um fio de cabelo. Três seriam colocados em áreas motoras e um na área sensorial. De acordo com a startup, a conexão seria sem fio e transmitiria as informações do cérebro para um dispositivo externo, colocado atrás da orelha, que poderia ser controlado por meio de um aplicativo no celular.

De acordo com a Neuralink, os seus chips são mil vezes mais efetivos que o sistema de estímulo por eletrodos atuais usados no tratamento de Parkinson. Ainda segundo a startup, eles podem durar de “anos a décadas”.

O procedimento para inserir sensor nos animais de teste foi feito com furos de perfuração, mas o plano é que a cirurgia se torne simples e menos invasiva, como uma cirurgia de olho. “Um macaco foi capaz de controlar o computador com seu cérebro”, afirma Musk. “Esperamos ter esse sistema em um paciente humano antes do final do próximo ano.”

Neuralink: startup secreta de Elon Musk deu informações de sua tecnologia pela primeira vez (Foto: Divulgação)

No entanto, o plano da Neuralink não tem agradado a todos. Philipp Heiler, médico e fundador da Neurofeedback Neuroboost, disse ao Business Insider que a cirurgia para inserir os chips e sensores podem causar danos cerebrais, inflamações e cicatrizes internas. “Você tem que se perguntar qual é a vantagem disso em relação a outras interfaces, como telas sensíveis ao toque ou assistentes de voz como o Alexa [da Amazon].”

Thomas Stieglitz do departamento de Microtecnologia Biomédica da Universidade de Freiburg, na Alemanha, acredita que a ideia de Musk não é realista. “A menos que tudo isso seja claro, simplesmente não é possível fazer o upload de conhecimento de um lugar, em seguida, enviá-lo de volta para o cérebro”, diz. “Embora possa ser uma grande ficção científica, na realidade é apenas loucura.”

O primeiro implante cerebral realizado em uma pessoa com paralisia foi em 2006. Matthew Nagle conseguiu controlar, por meio de seu cérebro, um computador, uma televisão e um robô. Desde então, cientistas têm desenvolvido tecnologias para controle pelo cérebro de objetos e braços robóticos.

Segundo o New York Times, desde a fundação, em 2016, da Neuralink, Musk já investiu US$ 100 milhões na startup.

Fonte:  PEGN