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Visando diminuir burocracia, startup auxilia empresas a migrar para ambiente digital

Diego Izquierdo e Miklos Grof, fundadores da Company Hero (Foto: Divulgação)

O processo de abertura de uma empresa pode ser longo e cansativo, principalmente para as de pequeno porte. Pensando em solucionar o problema vivido na pele, o húngaro Miklos Grof, 34, e o chileno Diego Izquierdo, 34, se uniram para criar a Company Hero.

A plataforma nasceu em 2018 e, seguindo a filosofia “business anywhere”, ajuda empresas a migrar do meio físico para o digital, eliminando barreiras criadas por processos burocráticos. Hoje, a startup atua em diversos estados do Brasil, atendendo mais de 3 mil clientes.

A história da parceria entre os sócios é antiga e anterior à Company Hero. Após ter estudado Ciências Econômicas na Inglaterra, Miklos Graf estava infeliz trabalhando no mercado financeiro. Em 2011, movido pelo crescimento do ramo de startups e inovação na América Latina, resolveu viajar ao Chile para tentar a vida na área. Sem falar espanhol e vivendo na casa de conhecidos, o húngaro passou a se voluntariar para trabalhar em startups.

Com um projeto autoral, a Fundacity, empresa de desenvolvimento de softwares para a gestão de fundos de investimento e portfólio de pequenas empresas, Graf participou de um programa de aceleração, onde conheceu Diego Izquierdo, que representava uma empresa de marketing digital.

A partir daí, a amizade e a parceria no empreendedorismo nasceu. A Fundacity não ficou entre as vencedoras para fazer parte do processo de incubação. Mas conseguiram fazer com que a empresa fosse uma das escolhidas para desfrutar dos benefícios oferecidos pelo programa – em 2013, chegaram a participar de um processo no Vale do Silício. “Acho que persistência é uma das palavras que nos define”, comenta o húngaro.

Após uma trajetória de 30 meses, que envolveu a mudança dos empreendedores para Belo Horizonte, a partir de incentivos do governo brasileiro para a empresa, e o firmamento da sede em São Paulo, a Fundacity foi vendida para a concorrência em 2015.

O nascimento da Company Hero

Izquierdo e Graf permaneceram trabalhando na então vendida Fundacity. Em 2016, em meio a tensões políticas e econômicas no Brasil e determinados a ter um negócio próprio novamente, resolveram investir em uma empresa de coworking, área que estava em crescimento no país.

A decisão foi certeira. Um ano depois, os sócios embarcaram para a Singularity University, empresa norte-americana que oferece serviços de consultoria em inovação.

Aberto às novas oportunidades, o negócio da dupla pivotou em 2018. “O Brasil é o mercado que mais tem empresas no mundo. É sensacional a quantidade de empresas que são abertas”, diz Grof sobre a escolha do país para fixar raízes da Company Hero. “Enxergamos que a burocracia é grande para empresas de pequeno porte”, completa. Enquanto ele ocupa a posição de CEO da companhia, Izquierdo, formado em Comunicação Multimidia, Design e Programação, atua como CTO.

Nos últimos 24 meses, a startup tem se concentrado em ser uma plataforma que ajuda as empresas a ir do analógico para o digital de forma desburocratizada, pagando menos impostos e gerando redução de custos. Segundo levantamento feito pela própria empresa, só neste ano, os esforços foram capazes de poupar 537 mil horas e cerca de R$ 125.600 dos clientes no processo de abertura dos negócios.

Diego Izquierdo e Miklos Grof, CTO e CEO da Company Hero, respectivamente (Foto: Divulgação)
Diego Izquierdo e Miklos Grof, CTO e CEO da Company Hero, respectivamente (Foto: Divulgação)

Além de acelerar os processos iniciais de um negócio, a empresa possui escritórios em 20 estados, que podem ser utilizadas como endereço fiscal pelos empreendedores e como espaço de trabalho para reuniões. As unidades funcionam de forma humanless, ou seja, sem funcionários.

“A gente basicamente digitalizou o acesso a imóveis e faz toda parte de abertura de empresas. Você consegue rapidamente lançar uma ideia naquele mercado quente sem ter que sair de casa e sem ter muitos custos fixos”, afirma Grof.

A companhia captou uma rodada de investimentos em 2018. Até agora, as captações da startup chegam a R$ 2,5 milhões, variando entre equity e venture debt. Também conta com investidores nacionais e internacionais, como empresários e profissionais do mercado financeiro e da advocacia. De acordo com Grof, a pandemia acelerou o processo de pivotagem da empresa, que cresceu 200% em apenas dois anos e faturou R$ 5 milhões em 2019.

O futuro é promissor

Mesmo com a crise gerada pelo novo coronavírus, a Company Hero vê resultados positivos: em 2020, a startup vem crescendo, em média, de 5% a 10% ao mês. Para Grof, a pandemia não trouxe maiores transtornos. “O desafio está sendo como manter a inovação e a agilidade rondando dentro da empresa.”

Os planos para o ano que vem envolvem dobrar em termo de clientes e faturamento. A dupla pretende também incorporar um serviço voltado para o marketing digital, em que muitos dos próprios clientes participem dos processos de criação e elaboração de peças para as redes sociais do contratante.

A intenção é que, nos próximos dois trimestres, a Company Hero esteja presente em todos os estados brasileiros com tecnologias cada vez melhores e mais avançadas para encurtar os processos de inicialização de empresas. Os sócios já estão se planejando também para internacionalizar os serviços da startup.

Fonte: PEGN

Rapaduratech

Escrito por Rapaduratech