É um fato incontestável: a IA entrou nas empresas sem pedir licença e bem mais rápido do que as regras para orientar seu uso.
Ferramentas são adotadas, decisões passam a contar com recomendações geradas por IA e novos processos são criados, mas até onde a inteligência artificial pode ir dentro de uma empresa?
A medida em que a tecnologia começa a participar cada vez mais das decisões, quem define os limites e quem responde por elas? Será que as empresas sabem responder a essa pergunta? O desafio da atualidade é entender como usá-la com inteligência, responsabilidade e um norte claro.
É a partir desse ponto que precisamos falar sobre governança.
Até pouco tempo, governança nas empresas era vista como controle, processos, compliance, prestação de contas e gestão de riscos, mas com o avanço da inteligência artificial o escopo das atribuições da governança ampliou e o papel está cada vez mais relevante.
Implementar IA sem governança representa um risco significativo para as empresas. Sem mapear, controlar e acompanhar as tecnologias utilizadas, torna-se difícil definir quem responde pelas decisões e como garantir que a inovação avance de forma segura, inteligente e responsável.
A Forbes Research 2026 CxO Growth Survey, que ouviu 1.150 executivos de empresas de grande porte, mostra que tecnologia, estratégia de IA, velocidade de inovação e apetite ao risco estão entre os temas que mais geram discussões nas salas de decisão. Ao mesmo tempo, 95% das organizações pesquisadas planejam aumentar investimentos em IA e cibersegurança no próximo ano.
A mudança importante destacada é que as empresas estão cientes que precisam investir em tecnologia, mas agora elas querem estabelecer como investir, quais limites definir e como transformar esses investimentos em valor sustentável.
“A governança não deve ser entendida como um mecanismo para frear a inovação. Em um ambiente de transformação acelerada, ela é justamente o que permite que as empresas avancem com mais clareza, segurança e capacidade de gerar valor. Quanto mais tecnologia incorporamos ao negócio, mais importante se torna definir responsabilidades, critérios e indicadores para transformar inovação em resultado sustentável”, destaca Cassio Germano, CEO do Grupo Portfolio.
Em pesquisa global da PwC realizada com mais de 3.800 executivos em 72 países, quase 70% dos líderes de negócios e tecnologia brasileiros classificaram os investimentos para proteção contra riscos cibernéticos entre suas três principais prioridades estratégicas. A pesquisa também mostra que a inteligência artificial está sendo considerada uma ferramenta importante para fortalecer a segurança e lidar com a escassez de competências especializadas.
Na era da inteligência artificial a governança não é apenas controlar riscos. É criar as condições para inovar, escalar e transformar tecnologia em valor, sem renunciar à responsabilidade e da transparência. A sua organização está preparada para isso?
