IA nas empresas: o maior obstáculo não é a tecnologia, é a mudança que ela impõe

Seis em cada dez desafios na adoção de inteligência artificial dentro das organizações têm origem humana, não técnica. É o que aponta pesquisa da Prosci com 1.107 profissionais de múltiplos setores: 63% das barreiras na ...

Resumo
Seis em cada dez desafios na adoção de inteligência artificial dentro das organizações têm origem humana, não técnica. É o que aponta pesquisa da Prosci com 1.107 profissionais de múltiplos setores: 63% das barreiras na implementação de IA nas empresas estão ligadas a pessoas — resistência, falta de capacitação e desalinhamento de lideranças. Problemas técnicos respondem por apenas 16%.

O dado muda o foco do debate. Enquanto boa parte do mercado ainda concentra o investimento em plataformas e ferramentas, a evidência aponta para um gargalo anterior: a capacidade das organizações de preparar quem vai operar essa tecnologia.

Por que a adoção de IA nas empresas exige gestão de mudanças?

Para Augusto Archer, COO da Strategy — empresa brasileira especializada em Gestão de Mudança Organizacional —, a IA representa uma ruptura diferente das que vieram antes.

“Muitas empresas investem pesadamente em plataformas de IA, mas negligenciam a preparação das pessoas. A IA não apenas muda como o trabalho é feito. Ela redefine o que as pessoas fazem. Isso gera insegurança sobre o futuro dos papéis profissionais, desconfiança nas recomendações geradas por máquinas e resistência à adoção.”

Os dados da Prosci detalham onde a fricção acontece: 38% dos desafios se concentram na proficiência dos usuários — curva de aprendizado, dificuldade com prompt engineering e treinamento insuficiente. Empresas que estimularam a experimentação com IA tiveram implementações mais bem-sucedidas do que aquelas que restringiram o uso.

Mercado de gestão de mudanças cresce na esteira da transformação digital

O movimento não é isolado. Segundo a Mordor Intelligence, o mercado global de consultoria em gestão de mudanças foi estimado em US$ 1,96 bilhão em 2025, deve atingir US$ 2,14 bilhões em 2026 e pode chegar a US$ 3,29 bilhões até 2031 — taxa de crescimento anual composta de 9,02%.

No Brasil, a aceleração tem endereço certo: modernização de sistemas legados (como as migrações de SAP ECC para S/4HANA, com prazo de manutenção mainstream até o fim de 2027), adequação à reforma tributária, automação de processos e iniciativas de dados e analytics.

“O setor de GMO no Brasil está passando por uma aceleração estrutural. As empresas estão sendo pressionadas a se adaptar mais rapidamente às mudanças tecnológicas, regulatórias e competitivas”, afirma Archer.

O que as organizações precisam estruturar

  • Capacitação das equipes — treinamento prático, não apenas apresentações institucionais
  • Comunicação clara — sobre o que muda, quando e para quem
  • Liderança alinhada — gestores que adotam antes de cobrar a adoção
  • Governança — regras claras para uso responsável das ferramentas
  • Espaço para experimentação — times que testam entregam mais
Redação

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