O Instinct é um assistente pessoal de inteligência artificial que promete executar tarefas nos aplicativos e dispositivos conectados pelo usuário. Em acesso privado, o produto da Spear Street Technology pode ser acionado por texto ou ligação e, segundo a empresa, trabalha com e-mail, mensagens, tela, áudio e localização para organizar compromissos, reservas, compras e deslocamentos.
A proposta vai além da resposta em uma janela de conversa. O Instinct afirma ter sido treinado para usar telefone e computador de forma semelhante à de uma pessoa, realizando ações em serviços conectados em vez de apenas sugerir os próximos passos.
No site oficial do produto, a empresa cita exemplos como retomar conversas pendentes, avisar o usuário por ligação ou mensagem, chamar um carro para o aeroporto e contratar um profissional para um reparo em casa. Essas funções são descritas pela companhia e não substituem testes independentes de todas as capacidades anunciadas.
O que o assistente precisa acessar
Para executar ações fora da conversa, o serviço pede conexão com dados e serviços de terceiros. Os termos de uso do Instinct autorizam a plataforma a acessar, copiar, coletar e indexar dados de serviços conectados, trocar informações com eles e realizar ações em nome do usuário.
O documento informa que os dados de serviços conectados que foram indexados podem continuar a ser usados mesmo depois da desconexão, salvo se o usuário solicitar a exclusão nas configurações da conta. Os termos também dizem que determinados acordos, compromissos ou transações feitos pelo assistente em nome do usuário podem ser vinculantes.
As permissões foram alvo de preocupações sobre privacidade e segurança entre testadores. A TechCrunch relatou dúvidas sobre o acesso a dados, a capacidade de agir em nome do usuário e cláusulas dos termos de uso. A publicação registrou ainda o relato de Peter Yang, usuário inicial que disse não conseguir apagar registros do Gmail quando pediu; depois, ele afirmou que a equipe adicionou uma ferramenta para excluir dados externos nas configurações.
Startup em acesso privado
O Instinct é operado pela Spear Street Technology, startup de San Francisco liderada por Noah Shinn, ex-pesquisador da Sierra. A empresa segue em acesso privado, condição que limita a avaliação sobre o alcance do produto, o número de usuários e a frequência com que suas funções operam como anunciado.
A TechCrunch informou que a empresa levantou US$ 250 milhões em uma rodada Série B. O aporte levou o total captado a US$ 350 milhões e a avaliação da startup a US$ 2,5 bilhões. Segundo a publicação, Index Ventures e Benchmark lideraram a rodada. A cifra é a avaliação atribuída à empresa privada na negociação, não receita, valor de mercado em bolsa ou medida independente de adoção.
Em publicação no X após a rodada, Shinn mencionou relatos de usuários iniciais sobre viagens de carro, compras de mantimentos e ingressos, cancelamento de assinaturas e organização de um casamento. São usos relatados pelo fundador e não uma avaliação independente do produto.
Autonomia e controle
O acesso a mensagens, e-mail, agenda, localização e outros serviços permite que o Instinct execute tarefas em nome do usuário. Ao mesmo tempo, exige que o usuário avalie as permissões concedidas, sobretudo quando o assistente pode acessar dados de terceiros ou realizar ações em plataformas conectadas.
Os termos revisados em 26 de agosto indicam que o funcionamento do serviço depende da autorização para conectar contas, processar dados e agir nesses ambientes. Como o Instinct permanece em acesso privado, sua disponibilidade geográfica e o número de usuários não foram divulgados pela empresa.