Google prepara satélite com chips de IA para teste em órbita

Protótipo do Projeto Suncatcher deve levar quatro TPUs ao espaço em 1º de outubro para medir resistência à radiação e limites de resfriamento.

Painéis solares e radiadores em estrutura orbital, referência visual para o Projeto Suncatcher
Resumo

O Google prevê lançar em 1º de outubro um satélite experimental com quatro chips de inteligência artificial para o primeiro teste em órbita do Projeto Suncatcher. A missão deve partir da Base da Força Espacial de Vandenberg, na Califórnia, em um Falcon 9 da SpaceX.

O protótipo, apelidado de MVP, terá painéis solares com cerca de 1 quilowatt de potência e capacidade de processamento próxima à de um único servidor de data center. O objetivo não é colocar um data center em operação no espaço, mas verificar como as TPUs do Google reagem à radiação, à vibração do lançamento e à dissipação de calor no vácuo.

Painel solar em órbita diante do nascer do Sol sobre a Terra
Imagem: NASA/Wikimedia Commons. Painel solar em órbita ao nascer do Sol, contexto visual para a captação de energia solar no espaço.

A atualização publicada pelo Google em 24 de setembro confirma que a empresa prepara um protótipo para a missão Transporter-18, da SpaceX. Segundo a companhia, o teste deve gerar dados sobre o comportamento das TPUs sob o estresse do voo espacial e diante de extremos de radiação e temperatura.

O resfriamento é um dos principais desafios. Em terra, sistemas de computação usam ventilação para afastar o calor dos chips. No vácuo, não há fluxo de ar. Para esse cenário, o protótipo deve usar um conjunto de materiais condutores e um painel radiador projetados para levar o calor dos componentes ao exterior do satélite.

O que o satélite vai testar

TPUs, ou Tensor Processing Units, são chips desenvolvidos pelo Google para cargas de aprendizado de máquina. No MVP, elas devem responder a consultas simples de IA durante a missão, com operação estimada em cerca de 15 minutos antes de uma pausa para resfriamento.

A etapa vai medir limites que não podem ser reproduzidos integralmente em laboratório. A radiação espacial pode provocar os chamados bit flips, alterações involuntárias de bits em circuitos eletrônicos. O Google informou que testes preliminares com TPUs Trillium indicaram resistência a uma dose de radiação superior à esperada para cinco anos de missão espacial. A operação em órbita será a validação prática desse comportamento.

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Próxima etapa prevista para 2027

O teste de um satélite não substitui os planos anunciados para 2027. Google e Planet trabalham em uma missão com dois protótipos para avaliar a operação coordenada das espaçonaves e a comunicação por laser de alta capacidade. A Planet informou que pretende construir e operar os dois satélites, com lançamento previsto para o início de 2027.

A conexão entre satélites é parte da hipótese de longo prazo do Suncatcher, uma rede de unidades alimentadas por energia solar que poderia dividir cargas de processamento. Em seu anúncio do projeto, o Google classificou a iniciativa como pesquisa de longo prazo. Não há anúncio de produto, serviço comercial ou operação do Gemini em órbita.

Diagrama oficial do Google Research sobre a geometria de uma constelação Suncatcher
Imagem: Google/Divulgação. Diagrama técnico oficial sobre a geometria de uma constelação compacta estudada no Projeto Suncatcher.

A data de lançamento segue sujeita a mudanças de cronograma. Se a missão ocorrer como prevista, os dados do MVP devem orientar o desenvolvimento dos dois protótipos planejados para 2027 e indicar se os sistemas de resfriamento e os chips suportam uma operação mais longa no espaço.

Redação

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