Health Techs estão fortalecendo a indústria de Cannabis pelo mundo

 Health Techs estão fortalecendo a indústria de Cannabis pelo mundo

É provável que a indústria da cannabis seja um dos assuntos que mais divide opinião ao redor do mundo. Apesar das divergências, a ciência comprovou que a planta possui diversos benefícios dentro da medicina. Não é à toa que a indústria da cannabis vem crescendo a cada ano. 

Segundo a base de dados mundial de startups, 一 a Crunchbase 一 cerca de 197 empresas emergentes estão no mercado de cannabis, seja para uso medicinal ou recreativo. O mais interessante é que a maioria dessas empresas foram fundadas a partir de 2015.

No ano de 2018 empresas investiram cerca de US $1 bilhão no ramo de cannabis. Valor que foi ultrapassado em apenas 6 meses do ano seguinte, 2019. Apenas no primeiro semestre, o mercado captou US $1,3 bilhão e a intenção era dobrar o valor de 2018, alcançado os US $2 bilhão. Todos os valores foram coletados pela PitchBook, consultoria de atuação mundial especializada em investimentos de risco. 

A relação entre Al Capone e a cannabis?

Falar em cannabis ou mais abertamente, falar em maconha, é algo que não é tão simples, principalmente dentro da sociedade brasileira. A planta está diretamente ligada ao crime e por muitas vezes é chamada de “entrada” para outras drogas.

Porém, a indústria da cannabis funciona de uma forma muito diferente.  

Antes de entender um pouco melhor sobre ela, podemos voltar no tempo. Mais precisamente para os Estados Unidos da década de 1920, ano em que entrou em vigor a 18ª emenda da constituição dos Estados Unidos.

Lei que proibia a venda de bebidas alcoólicas, mais conhecida como Lei Seca. Nessa mesma época um homem de nome Alfonso Gabriel Caponi, talvez você o conheça por Al Caponi (no inglês Al Capone, devido a pronúncia da letra “I”). 

Capone se aproveitou dessa lei e junto com sua gangue, vendia bebidas ilegalmente e enriqueceu com isso. The Chicago Outfit, nome de sua gangue, movimentava em seu auge cerca de US $900 milhões por ano.

Sua decadência começa em 1933, quando outra emenda revoga a Lei Seca. Isso ocorreu devido a crise 1929, onde os Estados Unidos precisavam de dinheiro, e a revogação aumenta a arrecadação de impostos, além de diminuir o poder das máfias.

E o que isso tem haver com a cannabis? Podemos fazer um paralelo bem simples entre ambas as situações. Em 2020, segundo a consultoria especializada BDSA, o mercado global de cannabis chegou a bater US $21,3 bilhões.

Pode-se imaginar os valores do mercado em caso de liberação mundial da cannabis?  

Como funciona a indústria da cannabis?

Diferentemente do álcool que é utilizado apenas para uso recreativo, a cannabis possui basicamente dois tipos de uso. O também recreativo já muito conhecido e, o uso medicinal. 

A planta possui quase cem ativos terapêuticos que podem ser extraídos. Dentre eles os mais conhecidos são o CBD e o THC, ambos com ótimas taxas de melhoras em pacientes com epilepsia e dores crônicas.

No Brasil, o CBD é reconhecido pela Anvisa desde 2015, sendo liberado o plantio medicinal, mas com certa cautela e forte fiscalização. Já o THC (Tetrahidrocanabiol) é ilegal nas medicações brasileiras, mas em casos expecificos pode ser importado. 

Segundo a New Frontier Data, uma empresa especializada no setor, o mercado brasileiro poderia  movimentar cerca de R$4,7 bilhões para a economia nacional. Mas, não é o que acontece devido aos tabus. 

Porém, uma categoria bem específica de startups tem buscado mudar aos poucos o cenário brasileiro em relação a este mercado. 

A inovação na saúde das Health Techs

A indústria da cannabis não é tão bem vista nas empresas tradicionais, mas as health techs, startups voltadas à área da saúde, pensam diferente. 

Ainda que muitas empresas emergentes mundo afora estejam cada vez mais avançando neste setor, aqui no Brasil também existe um movimento, por mais que as leis sejam bem rígidas sobre o assunto. 

Um exemplo claro é a Cannect, um marketplace onde é possível encontrar qualquer remédio de cannabis medicinal prescrito por um médico. A Healthtech foi fundada por Fernando Domingues e o ex-diretor do Oswaldo Cruz, Allan Paiotti.

Nos inícios dos trabalhos a startup já contava com cerca de 200 produtos disponíveis e mais de 350 já mapeados. 

A ideia é auxiliar no tratamento de doenças mentais, dores crônicas, oncologia e neurologia. Vale lembrar que é preciso já ter a prescrição médica para adquirir qualquer produto da Cannect. Essa prescrição é aprovada pela empresa e pela Anvisa.

A startup também disponibiliza consultas online, para que o paciente seja avaliado. 

Outro exemplo muito interessante é da Health Tech Proprium. Também sendo uma plataforma digital, segue a mesma linha da já citada Cannect. A ideia é encontrar o melhor canabinoide para cada pessoa.

O diferencial da Proprium é o MyCannabisCode, onde, depois de preencher um cadastro e efetuar o pagamento, será enviado um teste de coleta. Depois de analisadas, os resultados são disponibilizados de forma online e o médico parceiro Proprium poderá receitar o melhor remédio com base em cannabis para o seu problema. Tudo é feito em acordo com a Anvisa

O mercado ao redor do mundo

Já sobre o mercado ao redor do mundo, bom, poderíamos fazer um artigo completo só falando sobre isso. Principalmente se levarmos em consideração que cada vez mais estados americanos liberam o uso da cannabis, tanto medicinais quanto recreativos. 

Listamos a seguir algumas empresas que são destaque no setor:

Eaze

Health Tech americana sediada em São Francisco – CA que lançou seu aplicativo de entrega de cannabis em 2014. Vale destacar que é considerada uma das mais queridas dos investidores. Não à toa já recebeu financiamento de US$ 51 milhões.

PharmaCann

Diferentemente das maioria das Health Techs da área de cannabis que recorrem ao capital de risco tradicional, a PharmaCann levantou US $30 milhões apenas em um fundo de investimento imobiliário. 

Essa arrecadação ajudou a empresa a construir e melhorar suas instalações de cultivo e dispensários localizados em Nova York e Illinois. 

Green Bits

Com uma pegada diferente, Green Bits estreou na conferência TechCrunchs, em 2015, na cidade de Nova York. Seu conceito é ser um ponto de venda para dispensários e produtores da Cannabis. Bastou três anos para essa startup aumentar suas operações e atender mais de 1.000 clientes em sete estados.

O futuro promete

O futuro para o mundo da cannabis promete. Cada vez mais os estudos mostram que a planta possui seus benefícios. É claro que usos contínuos e sem moderação podem levar a alguns problemas, principalmente quando em formato de cigarro. 

Como tudo na vida precisamos ter moderação, saber quando utilizar. Mas, precisamos também tirar as vendas e ver o quanto a indústria da cannabis pode mudar o mundo. 

Hoje investimentos podem ser feitos. Diversos fundos já permitem que você invista nesse setor. Além de diversos países estarem afrouxando cada vez mais as leis que proíbem o uso da cannabis. 

É um processo que precisamos ficar de olho e que tem grande potencial.

Redação