Por que pagar tão caro em um JPEG ou GIF?

 Por que pagar tão caro em um JPEG ou GIF?

Por Dan Stefanes*

Nos últimos anos, a internet vem sendo inundada por uma infinidade de macacos entediados, punks pixelados, notícias de famosos vendendo e comprando JPGs e GIFs por milhões de dólares e, em pleno 2022, é quase impossível que o assunto NFT não tenha sido discutido pelo seu círculo social.

Seria NFT apenas uma obra de arte digital? Uma modinha ou onda passageira? O mundo ficou louco? Antes que você venha argumentar que qualquer um pode simplesmente salvar uma cópia do arquivo do seu NFT, vamos entender o porquê de alguém poder preferir pagar caro para garantir a propriedade de um ativo digital.

A ilusão da gratuidade

A forma como a internet está estruturada hoje faz com que transitemos entre logins temporários fornecidos por grandes corporações, que nos permitem acessar aquilo que entendemos como valor. Pare para pensar, como você está consumindo este conteúdo, neste exato momento?

E qual o problema disso?

O problema é que, para acessar ou gerar valor dentro da internet, você precisa se submeter a uma série de intermediários, com suas regras e termos de uso, estando a apenas um clique de ter tudo o que você acredita ser seu simplesmente apagado ou impedido por um terceiro de ser acessado.

Recentemente, o youtuber Cauê Moura viralizou um vídeo dando sua opinião sobre tokens não-fungíveis, argumentando de forma divertida ser algo desnecessário e sem sentido, criado apenas para tirar dinheiro de desavisados. Até o momento da publicação deste conteúdo, o vídeo acumula 350 mil visualizações no seu canal, que conta com mais de 5 milhões de inscritos e quase 800 vídeos publicados.

São números expressivos e que certamente somariam um grande prejuízo para o criador de conteúdo caso fosse impedido de continuar utilizando a plataforma, de monetizar seu conteúdo e/ou se tivesse todo o seu trabalho de anos deletado sem o seu consentimento.

Mais do que uma ‘figurinha’

E é pensando nisso que NFTs começaram a se tornar relevantes, pois pela primeira vez no mundo digital o conceito de propriedade sobre um ativo único se tornou possível, permitindo às pessoas atestarem a sua origem e consequentemente perceber valor diretamente daqueles que devem ganhar pelas suas criações.

Por conta disso, os NFTs encontraram grande adesão no meio da arte, onde designers, músicos e até grandes marcas viram a oportunidade de criar e engajar uma comunidade em torno de suas criações, aproximando fãs, que passaram a desejar colecionar seus ativos – que tendem a se valorizar devido a sua origem, exclusividade e/ou escassez.

E embora muita gente argumente que a compra desses itens seria apenas uma nova forma de ostentação (e em muitos casos, até é!), essa não é a única coisa que faz um NFT ganhar valor, já que a cada dia encontram-se novas formas de dar utilidade a estes ativos. Por exemplo:

Recentemente, celebridades como Neymar Jr. e Justin Bieber adquiriram NFTs da série Bored Ape Yacht Club. Automaticamente, eles passaram a ter acesso a uma extensa lista de funcionalidades e benefícios exclusivos na plataforma da marca de macacos entediados, como:

  • Acesso a uma comunidade online, com milhares de outros membros notórios, como Eminem, Jimmy Fallon, Steph Curry, Post Malone, entre outros;
  • Acesso no mundo real a festas e eventos exclusivos para seus membros, como o “Ape Fest 2021” – um evento de uma semana em NY, que contou com festa em um iate e com shows de artistas como Chris Rock, The Strokes e Lil Baby. Até mesmo uma casa noturna de verdade está prevista de ser construída na cidade de Miami para seus membros;
  • Acesso gratuito ou desconto na aquisição de novos ativos digitais lançados exclusivamente para membros, como novas coleções de NFTs* (*ex: Bored Ape Mutant Club e Bored Ape Kennel Club), uma futura cidade no metaverso Sandbox,  avatares 3d dos seus personagens, além de diversos jogos que estão em desenvolvimento e que prometem ser interoperáveis em um ecossistema próprio;
  • Prioridade e descontos para adquirir merchandisings oficiais e produtos físicos de tiragens limitadas da marca, além do direito de licenciar seus NFTs para outras marcas e de produzir merchandasings próprios*; (*Recentemente a revista Rolling Stones e a Adidas anunciaram parcerias envolvendo a coleção)
  • Tornar-se parte de uma comunidade que toma decisões em uma Organização Descentralizada Autônoma (DAO) com poder de voto e participação nos resultados dos projetos;
  • A possibilidade de ver seu ativo valorizando e poder ganhar muito dinheiro com a sua venda.

Após tudo isso, devemos nos questionar:

Será que o valor dos NFTs está realmente nas suas imagens, vídeos e/ou sons ou está no que é possível fazer com o dado de origem imutável de um ativo único em uma blockchain?

*Dan Stefanes é CEO da Blockchain One.

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