Em 2025, 90,5% da população brasileira com 10 anos ou mais utilizou a internet nos três meses anteriores à entrevista, o equivalente a 168,7 milhões de pessoas. Foi a primeira vez, na série histórica, que o país ultrapassou a marca de 90%, segundo a PNAD Contínua TIC 2025, divulgada pelo IBGE em 2 de julho de 2026. Em 2016, primeiro ano da série, o índice era de 66,0%, uma alta acumulada de 24,5 pontos percentuais em nove anos.
O salto frente a 2024 foi de 1,3 ponto percentual (de 89,2% para 90,5%). Os brasileiros que ficaram offline encolheram para 17,7 milhões, ou 9,5% da população de 10 anos ou mais, o menor percentual da série. O universo medido é de 186,4 milhões de pessoas nessa faixa etária.
Os dados vêm do módulo de Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC) da PNAD Contínua, pesquisa anual do IBGE sobre acesso à internet, televisão e posse de telefone celular. A íntegra está na publicação “Acesso à internet e à televisão e posse de telefone móvel celular para uso pessoal 2025”, de 16 páginas, disponível na Biblioteca do IBGE.
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O celular virou a porta de entrada
Quase todos os usuários de internet no Brasil acessam a rede pelo celular. Em 2025, 98,7% das pessoas conectadas usaram o aparelho, e a posse de telefone móvel celular para uso pessoal atingiu 89,8% da população de 10 anos ou mais, recorde da série iniciada em 2016, quando era de 77,4%.
A TV apareceu como meio de acesso para 57,8% dos usuários (alta de 4,3 pontos sobre 2024). Microcomputador ficou em 33,4% e tablet, em 9,2%. A frequência diária de uso também bateu recorde: 95,6% dos usuários acessam a internet todos os dias.
A dominância do celular veio junto com mudanças no que os brasileiros fazem online. Pela primeira vez na série, mais da metade dos usuários (52,7%) declarou ter feito compras ou encomendado produtos pela internet, alta de 4,8 pontos em um ano. O acesso a bancos e instituições financeiras chegou a 74,2% (+3,2 pontos), e o uso da internet para acessar serviços públicos subiu de 38,6% para 41,1% em 12 meses.
Domicílios: 95% já têm internet
No recorte por domicílio, o Brasil também cruzou uma marca inédita. São 76 milhões de domicílios com acesso à internet, 95,0% do total, com alta de 1,3 ponto percentual em relação a 2024, segundo a Agência de Notícias IBGE. Em números absolutos, 2,7 milhões de lares passaram a se conectar em um ano.
A banda larga fixa está em 89,2% dos domicílios conectados, e a banda larga móvel, em 85,9%. A conexão discada responde por 0,2% e tende a desaparecer. Os 4,0 milhões de domicílios que ainda não têm internet apontaram como principais motivos ninguém no lar saber usar (36,5%), preço do serviço (25,9%) e falta de necessidade (25,2%).
O que mudou em 2025: idosos, não estudantes e TV
Três movimentos aparecem nos dados de 2025 e ajudam a explicar o salto de 89,2% para 90,5%: avanço entre idosos, entrada de não estudantes na rede e expansão da televisão como meio de acesso.
Pessoas com 60 anos ou mais seguem sendo o grupo etário com menor penetração, em 74,5%, mas registraram a maior alta anual, 4,4 pontos sobre 2024. Entre quem tem 20 a 39 anos, o uso já está acima de 96%. O recorte por escolaridade continua entre os mais desiguais: pessoas sem instrução aparecem em 50,1%, contra 97,4% entre quem tem ensino superior completo.
Entre estudantes, o uso ficou em 92,4% (estável frente a 2024), e entre não estudantes, em 90,0% (+1,6 ponto). No ensino fundamental está a maior diferença entre redes: 93,8% na rede privada e 85,0% na pública, 8,8 pontos de distância. No ensino superior, a diferença praticamente desaparece: 98,4% na privada e 98,9% na pública.
As desigualdades que permanecem
O IBGE mostra que o acesso à internet no Brasil ainda é marcado por três eixos de desigualdade sobrepostos: geografia, idade e escolaridade.
No recorte regional, o Centro-Oeste lidera, com 93,6% da população de 10 anos ou mais conectada. Sudeste e Sul também ficam acima da média nacional. Norte (89,7%) e Nordeste (88,5%) seguem abaixo. O Nordeste tem o menor percentual de banda larga móvel do país (72,4%) e a menor taxa de domicílios com TV por assinatura (11,6%).
A diferença entre áreas urbanas e rurais continua caindo, mas não desapareceu. Nos domicílios, o hiato foi de 41,5 pontos percentuais em 2016 para 7,8 pontos em 2025. Entre pessoas, o urbano ficou em 91,5% e o rural em 83,0%, diferença de 8,5 pontos. A cobertura de rede móvel celular na área rural é de 68,0%, contra 96,1% nas cidades, e a indisponibilidade do serviço é o motivo principal para 8,9% dos domicílios rurais sem internet não contratarem acesso.
Quem ficou fora da rede em 2025 declarou, como principal motivo, simplesmente não saber usar a internet (44,9%). Falta de necessidade aparece em 27,8%, e motivos econômicos somam 9,0%. A preocupação com privacidade e segurança subiu pelo quarto ano seguido e já é o segundo motivo mais frequente entre usuários de 10 a 13 anos (30,3%), possível reflexo do receio de pais ou responsáveis.
Linha do tempo (2016-2025)
- 2016: 66,0% (primeiro ano da série)
- 2019: 79,4%
- 2024: 89,2%
- 2025: 90,5% (primeira vez acima de 90%)
Fonte: PNAD Contínua TIC 2025, IBGE.






































