A OpenAI anunciou nesta quinta-feira (9) o ChatGPT Work, agente de IA que executa tarefas em vários passos acessando e-mail, calendário, Slack, Teams, Google Drive, SharePoint, GitHub e CRMs. O produto roda em uma máquina virtual na nuvem da própria OpenAI, fica disponível em todos os planos pagos e entra em concorrência direta com o Claude Cowork, da Anthropic, e o Microsoft Copilot Cowork.
O lançamento foi divulgado pela OpenAI em comunicado oficial e detalhado pelo product manager Ty Geri em entrevista à VentureBeat. O novo agente é movido pelo GPT-5.6, lançado pela empresa no mesmo dia em três variantes, Sol, Luna e Terra.
Uma VM na nuvem em vez do seu computador
Diferente de agentes que dependem de uma máquina local ligada o tempo todo, o ChatGPT Work roda em uma máquina virtual persistente nos servidores da OpenAI. “É uma máquina virtual na nuvem, sempre disponível para você, e isso vale para todos os nossos planos pagos”, disse Geri à VentureBeat.
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A diferença importa porque tira do usuário a obrigação de manter o notebook ligado e conectado para que uma tarefa longa continue rodando. O agente também pode ser acionado pelo celular, com a continuidade acontecendo na web quando o usuário volta à mesa.
A OpenAI afirma que o agente consegue passar horas em um projeto complexo, quebrando o objetivo em etapas menores e executando cada uma de forma autônoma. O usuário pode pausar, mudar de direção e aprovar ações sensíveis no meio do caminho.
Conexões com Slack, Gmail, GitHub e mais
As integrações funcionam por plugins baseados no protocolo MCP (Model Context Protocol). “Todos são baseados em MCP”, confirmou Geri. Estão disponíveis na partida Slack, Microsoft Teams, Google Drive, SharePoint, Gmail, Outlook, Google Calendar, Salesforce, GitHub e Adobe Acrobat, entre outros.
A empresa também publicou um diretório unificado de plugins, no qual o ChatGPT pode sugerir conexões relevantes conforme a conversa avança. O usuário pode forçar uma busca em um app específico digitando “@” seguido do nome do plugin.
Entre as capacidades citadas pela OpenAI estão revisar calendários e recusar, aceitar ou remarcar reuniões, criar planilhas, slides, documentos e “Sites” (recurso em beta público que publica apps e páginas com URL direto do ChatGPT), e executar ações no desktop local por meio do “Computer Use”, que clica, digita e move arquivos em outros apps. As chamadas “Tarefas agendadas” continuam executando rotinas mesmo com o usuário offline.
Planos e preços
A partir de 9 de julho, o ChatGPT Work está disponível na web e no celular para usuários Pro, Enterprise e Edu. A OpenAI informa que a expansão para os planos Plus (US$ 20 por mês) e Business acontece “nos próximos dias”, sem data exata divulgada.
O novo app de desktop unificado, que reúne Chat, Work e Codex em uma única interface, está disponível globalmente para Mac e Windows em todos os planos, incluindo o Free. A versão anterior do desktop ChatGPT será renomeada “ChatGPT Classic”, e o navegador independente Atlas começa a ser descontinuado.
A OpenAI diz que o modelo de cobrança segue a mesma estrutura de uso do Codex, variando conforme a complexidade da tarefa. Administradores de contas Enterprise e Edu têm controles de gasto e Compliance API para auditoria de conversas e ações, além de controles de plugins, navegador, rede e ações sensíveis. A empresa afirma que um “auto-review” com modelo avançado bloqueou 100% das tentativas de extração de dados em red team adversarial, mas não publicou a metodologia.
Concorrência imediata com Anthropic e Microsoft
O produto entra no mesmo segmento dos agentes Claude Cowork, da Anthropic, aberto em GA em abril, e Copilot Cowork, da Microsoft, em GA mundial em 16 de junho. Os três compartilham a mesma proposta, agente persistente na nuvem conectado por plugins e capaz de executar tarefas em múltiplos passos, com saídas que vão além de respostas em texto, como planilhas, apresentações e sites.
A diferença da OpenAI está no alcance: a empresa diz ter 900 milhões de usuários ativos semanais no ChatGPT, 50 milhões de assinantes pagantes, 9 milhões de usuários corporativos e presença em 92% das empresas da Fortune 500. O plano Plus, a partir de US$ 20 por mês, também recebe o agente nos próximos dias.
A OpenAI também protocolou em junho o rascunho confidencial de seu S-1 na SEC, com valuations reportados entre US$ 730 bilhões e US$ 852 bilhões. A empresa afirma gerar US$ 2 bilhões de receita por mês, com enterprise já representando mais de 40% do total, e projeta prejuízo de US$ 14 bilhões em 2026, com perspectiva de lucro só próximo de 2030.
Privacidade e dados corporativos
Ao ser perguntado sobre privacidade, Geri afirmou à VentureBeat que o controle é sempre do usuário. Contas Enterprise têm ZDR (Zero Data Retention), e qualquer usuário pode optar por não ter suas conversas usadas para melhorar os modelos da OpenAI. O comunicado oficial repete que a empresa não treina com dados de contas Enterprise.
A exposição é maior do que em sessões comuns de chat porque o agente lê mensagens no Slack, varre convites de calendário e puxa históricos de commits no GitHub para montar contexto. A VentureBeat destaca que esse novo recorte de dados tende a ser ponto sensível para equipes de segurança da informação antes de liberar acesso corporativo.
A página oficial em pt-BR não menciona prazos específicos de rollout para o Brasil nem posicionamento sobre LGPD, residência de dados ou contratos locais, pontos que ainda precisam ser confirmados pela OpenAI no país.
Casos de uso endossados pela OpenAI
A empresa publicou depoimentos de quatro clientes Early Access. Na Zapier, a líder de marketing empresarial Angela Ferrante disse que o agente criou um sistema de revisão mensal de leads, rastreando pontos de contato no CRM, no e-mail e em outras ferramentas, e gerou um painel executivo semanal que identificou “sete dígitos em vendas potenciais”. Na RingCentral, o gerente de P&D Vaneet Seth afirmou que o agente transformou verificações manuais de lançamentos em fluxo repetível, e que ele passou de apoiar um gerente de produto para cerca de 50. Na Virgin Atlantic, Nathan Bolt, head de Produtos Digitais, disse que o agente comparou a experiência dos passageiros da companhia com a de concorrentes durante o planejamento de cinco anos, “reduzindo semanas de análise a horas”. Na NVIDIA, Will Daney, gerente de go-to-market, relatou que o agente automatizou a preparação para a conferência GTC, substituindo um fluxo em Excel que consumia cerca de 40% do tempo pré-evento.
Não há, nas fontes consultadas, benchmark independente de produtividade nem auditoria externa de segurança que valide esses números.






































