Do Alasca a Tóquio: Conheça a GreenMile, solução cearense de logística que está espalhada pelo mundo

 Do Alasca a Tóquio: Conheça a GreenMile, solução cearense de logística que está espalhada pelo mundo

Imagem: Site GreenMile | Reprodução

Sabia que tem software cearense rodando do Alasca a Tóquio? Trata-se das soluções criadas pela GreenMile que tem o intuito de resolver uma dor de empresas na área de logística. Essa startup “made in Ceará” foi adquirida por uma empresa canadense chamada Descartes, em julho deste ano. E o investimento inicial foi de U$ 30 milhões (dólares).

Criada no ano de 2008 em Fortaleza, a GreenMile construiu um software que ajudava as empresas a planejarem melhor suas rotas e acompanhar as entregas dos motoristas. Lembrando que, em 2008, o mundo estava começando a entender o que era um smartphone – o iPhone foi anunciado em 2007. E ainda nessa época, as conexões de internet (2G) começaram a se popularizar. Parece que faz muito tempo, né?

Regis Melo é co-founder e CTO da GreenMile e contou que, de lá para cá, foram evoluindo a plataforma para contemplar novas funcionalidades. E elas fizeram a diferença na solução atual. “Inteligência Artificial para ‘aprender’ as diferenças entre entregas e realizar planos melhores no dia seguinte; para otimizar a rota dos motoristas em tempo real considerando fatores como trânsito, ajudam bastante a operação dos nossos clientes”, explicou.

Do Ceará para os EUA

Mas como a GreenMile foi parar no mercado estrangeiro? Regis ressaltou que o primeiro contrato internacional aconteceu ainda em 2008, ano do surgimento, com uma pequena empresa em Israel.

“Traduzimos o software para hebraico, o que foi um grande desafio. Hebraico se fala em Israel e se escreve da direita para esquerda, com caracteres distintos dos latinos que estamos acostumados no português. Mas esse primeiro contrato acendeu uma luz interessante nas nossas cabeças. O mesmo problema que estávamos resolvendo no Brasil era um problema que clientes no mundo todo tinham. Então, por que não se aventurar em outros mercados?”, analisou. 

Régis Melo, CTO e Co-Founder da GreenMile

E foi com essa reflexão que a startup abriu um escritório nos Estados Unidos no ano de 2011, onde está atualmente grande parte de sua operação. Desde então, o software foi traduzido para 12 línguas e implantado em várias partes do mundo. 

Negociação

Com base nos EUA, onde o mercado de M&A e de fundos de investimento é bastante aquecido, a GreenMile começou a ganhar tração e ser sondada por interessados em investir na companhia. “Era curioso ver a percepção dos fundos em ver que a GreenMile nunca tinha tido uma rodada de investimento, o que é uma coisa bem fora do padrão no mercado americano”, contou Regis. 

Somente em 2020, a startup começou a conversar de forma mais séria com outras companhias de software de soluções complementares. Mas aí veio a pandemia de Covid-19, o que gerou atraso em todo o processo. Por isso, só em 2021 é que foi concluída a venda para a Descartes. 

“A Descartes possui uma solução de software também na área de logística, complementando a operação que temos. O que é muito positivo para a continuidade do software e crescimento do time”. 

A GreenMile está sediada em Orlando, Flórida. A Descartes adquiriu a GreenMile por uma consideração inicial em dinheiro de U$ 30 milhões, mais uma consideração potencial baseada em desempenho. O valor máximo a pagar sob o ganho baseado em desempenho totalmente em dinheiro é de U$ 10 milhões. Isso com base na GreenMile atingir as metas baseadas em receita nos primeiros dois anos após a aquisição.

Big Techs de olho no Ceará

Para Regis, o Ceará sempre teve uma característica de produção de grandes mentes na área de software. “Infelizmente não tínhamos tração até alguns anos atrás para reter essas pessoas no estado e acabávamos exportando mão de obra para o mundo afora”, considerou. 

Ele revelou que costuma brincar com a frase: “quando um cearense ganha o mundo, o mundo ganha”. Isso devido à evasão de profissionais.

“Hoje o cenário mudou em diversos sentidos. Primeiro, temos uma onda de startups e de investidores fazendo negócios serem viáveis na nossa região”. Até porque a área de software é uma das poucas que você pode fazer de qualquer lugar do mundo para vender em qualquer lugar do mundo. 

“Começamos a ver os primeiros ‘exits’ bem sucedidos no nosso mercado. Empreendedores que começaram o negócio do zero e que foram investidos/comprados e que começam a gerar um novo ciclo de negócios, com mais experiência e bagagem para tracionar o novo negócio”, ressaltou.

Contratação

Ainda segundo Regis, há também grandes companhias de tecnologia contratando profissionais remotos no Ceará para trabalhar no mundo inteiro. “A barreira geográfica e a dificuldade de visto de trabalho acabaram quando percebemos que podemos fazer nosso trabalho de qualquer lugar do mundo. Basta uma conexão de internet. Toda a pandemia da Covid, que foi tão maléfica para nossa sociedade, acelerou em décadas esse processo todo”, pontuou. 

“Olhando para o hoje, contratar vai ser um desafio cada vez maior. Mas levantando a cabeça para mais alguns anos à frente, ter gente bem sucedida, bem remunerada, trabalhando na área de TI e ficando no Ceará, vai fazer com que tenhamos mais jovens interessados em ingressar nessa área de trabalho. Isso gera um grande ciclo virtuoso”, avaliou. 

Para ele, a sociedade precisa acordar para uma grande oportunidade que pode mudar a economia do estado. E pode passar a ser uma referência na produção de cabeças pensantes para resolver problemas de TI nesse mundão afora.

Hayanne Narlla

Jornalista cearense. Amante do sol e do mar, cultiva o hábito de escrever sobre a vida nos detalhes mais rotineiros. Movida por novos desafios e curiosa desde a infância, gosta de aprender sobre inovações e empreendedorismo. Nas horas livres, reflete e teoriza sobre o universo da música e do cinema. Acredita que é preciso ser útil e deixar rasto.

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