Excesso de liquidez e carência de profissionais influenciam no mercado de startups

 Excesso de liquidez e carência de profissionais influenciam no mercado de startups

(Imagem: Micheile Henderson/Unsplash)

Imagine um cenário de investimento em que existem duas principais vertentes: excesso de liquidez e carência de profissionais qualificados para mão de obra. Qual seria o resultado dessa união? Seria de anomalia e caos. Pelo menos, essa é a visão do investidor Rodrigo Dantas, que fundou a startup de pagamentos recorrentes Vindi e continua no comando da companhia.

Liquidez

Antes, vamos entender o que é liquidez: é a capacidade de conversão de um bem em dinheiro. Ou seja, é a rapidez com a qual você consegue se desfazer de algo que você possui para receber dinheiro em mãos. Quando falamos de liquidez no mundo das startups, vale frisar que a venda de uma dessas empresas de tecnologia para outra gigante no mercado, por exemplo, é o evento de liquidez mais comum para investidores em startups e é geralmente muito rentável para os seus fundadores e investidores iniciais. Eles faturam o que elas valem em apostas, não precisamente o que lucram.

Mas, como falei no texto “A verdade por trás dos investimentos em startups“, o problema é mais embaixo: há empresas que valem bilhões, quando se fala em startup, mas que nunca registraram lucro. 

Enfim, isso tudo para dizer que Rodrigo Dantas defende a hipótese de que o mundo regado a muita liquidez, mas sem possibilidade de contratação de bons profissionais, se transforme em um jogo de rouba-monte (aquele do baralho). A expectativa é de que num futuro próximo, mais ou menos de 5 anos, o Brasil venha a ter um grande problema com a falta de desenvolvimento no setor de tecnologia.

Escritório vazio. (Imagem: Raj Rana/Unsplash)

Carência de profissionais

Isso acontece porque a procura por profissionais especializados em tecnologia é grande, mas a oferta é pouca. Falta, e muito, esse tipo de profissional. E, por isso, muitos permanecem pouco tempo em uma empresa, pois já recebem propostas de outras. Além disso, os salários são altíssimos, que competem até com os que administram a startup. Então, como bancá-los?

“É um problema global, não tem mão de obra qualificada para tecnologia no mundo”, foi o que avaliou Rodrigo Dantas. O fato é que a pandemia acelerou o processo do “trabalhar em qualquer lugar”. Por isso, muitas empresas, necessitadas desses profissionais, ultrapassaram barreiras e fronteiras, passaram a contratar gente de qualquer lugar do mundo. Com a moeda brasileira (o real) fraca, compensa muito mais realizar o mesmo trabalho, no mesmo nível de dificuldade, mas ganhando em dólar ou em euro.

E o que resta para os brasileiros? Alguns malefícios, como: produtividade abaixo do esperado,  leilão no mercado e muita gente pulando de emprego muito rápido. E como ter uma startup funcionando sem mão de obra trabalhando? 

Rodrigo Dantas ainda faz um panorama sobre a liquidez, sem focar na mão de obra. “Por ter muito dinheiro no mercado, cria-se também uma grande competição entre os fundos de ventures capital. ‘Está vindo boas oportunidades para mim? Estou chegando primeiro nelas?’ Você conhece os cases que estão crescendo e são bons. Acho que tem coisas esquisitas acontecendo no Brasil, menos do que acontecia, mas tem. Como faltam bons cases para cheques de série A e B, os fundos têm descido muito para seed. Até o ano passado, séries B e C eram raras no Brasil. Mas tem cheques indo para negócios ruins”, comenta.

Como mudar o cenário?

Ao fim, ele reflete: por que destinaram cheques tão altos para negócios cujas teses não paravam em pé? A resposta pode ser o excesso de liquidez. Quando se tem pouca liquidez, os critérios para investimento serão escolhidos nos mínimos detalhes. Mas quando há muito dinheiro sendo apostado, as empresas vão ser escolhidas por critérios mais gerais. Um exemplo é alguém querer investir na startup de maior valor, apenas para apostar se estava certo.

A sugestão do próprio Rodrigo é que as empresas criem escolas e projetos de capacitação, para não depender das universidades. A startup deve contratar o estagiário, investir em sua formação e dessa forma treiná-lo. Além disso, adequar esse cenário à um plano de cargos e carreiras seria a melhor saída e a mais rápida para essa carência.

Em 2013, o ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama já havia declarado seu apoio a que jovens se dedicassem a aprender a escrever códigos. Ou seja, jovens de ensino médio, por exemplo, seriam estimulados a aprenderem a programar. 

“Aprender essas habilidades não é só importante para o seu futuro. É importante para o futuro do nosso país. Se nós quisermos que os EUA estejam na ponta, nós precisamos que os jovens americanos como você se especializem nas ferramentas e nas tecnologias que mudaram o jeito que fazemos tudo”, disse em vídeo (https://www.youtube.com/watch?v=CLf7fxqltgg).

E você? Quais critérios você usa/usaria para investir em uma startup?

Hayanne Narlla

Jornalista cearense. Amante do sol e do mar, cultiva o hábito de escrever sobre a vida nos detalhes mais rotineiros. Movida por novos desafios e curiosa desde a infância, gosta de aprender sobre inovações e empreendedorismo. Nas horas livres, reflete e teoriza sobre o universo da música e do cinema. Acredita que é preciso ser útil e deixar rasto.

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