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Facetas da Criatividade (Parte I) #Estalo!

Eaê Rapaduras! Iniciamos hoje a coluna Estalo! Esse espaço nasce com o intuito de trazer à tona aspectos da criatividade para além do senso comum, destacando sua importância como condição para inovação!  Inaugurando a coluna, temos o artigo “Facetas da Criatividade” de Lucas Gurgel cujas ideias estão divididas em duas partes. Hoje apresentamos o contexto que permite o surgimento da inovação e criatividade. Boa leitura!

“Para se destacar no mercado é preciso inovar”. “Só com ênfase em inovação, sua empresa aumentará a vantagem competitiva”… Inovação, inovação… Palavrinha recorrente. Contudo, será que os empreendedores realmente sabem sobre quais bases ela está assentada?

Ao se falar em inovação, tem-se em mente o estabelecimento de uma combinação de recursos, que ainda não foi efetivada por ninguém, para realizar algo novo em prol de um sucesso comercial. Nesse âmbito, a inovação possui um papel primordial enquanto indutora do crescimento econômico, que ocorre em ciclos impulsionados pelo desenvolvimento de novos produtos. Não podemos nos esquecer que empreender é um ato de curiosidade e insatisfação; logo, essa  postura deve contemplar, também, a investigação dos fatores que levam ao surgimento e ao uso de determinados conceitos corriqueiros do dia a dia. Em nosso caso, investigar a mola propulsora da inovação: a criatividade.

O termo criatividade deriva do latim creare, que significa criar, inventar, fazer algo novo (Sanches Amorim e Frederico, 2008) e inúmeras definições têm sido construídas em torno dessa temática, que se encontra longe de um esgotamento. Para nós o que menos importa é a definição per se. Diferentemente, o interesse vai para de que modo a criatividade se torna um input para os surgimento de novas ideias, e como elas podem ser incorporadas em nosso dia a dia. Para termos uma ideia, a partir de uma análise empreendida pelo Linkedin a criatividade surge como a habilidade mais importante procurada pelas empresas para 2019. É nesse sentido que o tema motiva ainda mais um olhar diferenciado.

Cientes dessa transformação, determinados empreendedores despertam para o atual momento da sociedade do conhecimento, que impõe, cada vez mais, outra postura para fazer frente às mudanças do ambiente externo. Nessa lógica, a criatividade é apropriada como fator diferenciador e integrante do processo de oferta de bens e serviços (Parjanen, 2012) e a sobrevivência das organizações estará diretamente ligada ao tanto que elas são capazes de agir criativamente.

Mas o que seria esse agir criativamente? Longe dos clichês do tipo “pensar fora da caixa!”, “virar a própria mesa!”, a ação criativa tem a ver com novas possibilidades de combinar elementos da realidade, aparentemente destoantes entre si. Ou seja, observar, inquietar-se e reconfigurar o que existe de uma maneira nunca antes posta em prática, o que poderia levar à solução de determinado problema. Ou ainda, que poderia levar a um resultado econômico (a tal da inovação!). É fácil, então, concordar com Sanches Amorim (2008) quando este afirma que a “inovação é a criatividade transformada em mercadoria” (p.81) .

Assim, métodos e aconselhamentos para “aumento da criatividade” tornam-se corriqueiros em palestras, aulas pré-formatadas, e outros tantos tipos de exposições associadas ao empreendedorismo de palco. Contudo, boa parte destas iniciativas focam no indivíduo criativo, problematizando possíveis componentes hereditários, quais posturas a se adotar, que tipo de mindset deve ser aperfeiçoado, qual a importância de ousar, e por aí vai. Nesse tipo de abordagem, muitas vezes, outras dimensões da criatividade acabam não recebendo a devida atenção…

Assim como a inovação possui tipologias diferentes que facilitam sua compreensão (inovação de produto, de processo, de organização e de marketing) a abordagem para a criatividade é multifacetada, a envolver o produto, processo e lugares criativos. Como você acha que elas se entrelaçam?

No próximo artigo, irei expor como tais dimensões contribuem como indutores para a criatividade, tornando o sujeito um agente (porém não único) para a eclosão de novas ideias. Afinal, a realidade é plural e nossas conexões repletas de imprevisibilidades!

 

Referências:
Ferreira, D. (2015), “Schumpeter e a inovação”, http://peritiaeconomica.com.br/schumpeter-inovacao/, acedido em 14 de Março de 2017;
Parjanen, S. (2012), “Experiencing Creativity in the Organization: From Individual Creativity to Collective Creativity”, T. Weise (editor) Interdisciplinary Journal of Information, Knowledge, and Management, Vol. 7, pp. 109-128;
Sanches Amorim, M., e Frederico, R. (2008), Criatividade, inovação e controle nas organizações, Revista de Ciencias Humanas, 42, 75-89.

 

 

Lucas Gurgel

Escrito por Lucas Gurgel

Um inquieto investigador dos porquês da vida, mirando problemas e inovações para uma vida mais funcional. Doido por viagens, heavy metal e criar pontes entre âmbitos aparentemente distintos da realidade.

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