Já ouviu falar em hidrogênio verde?

O hidrogênio verde é uma das apostas em combustíveis limpos, mas para que se torne uma alternativa viável, é preciso ainda ampliar a sua produção. Dessa forma, alguns desafios que se precisa enfrentar são em relação à ar...

Resumo

O hidrogênio verde é uma das apostas em combustíveis limpos, mas para que se torne uma alternativa viável, é preciso ainda ampliar a sua produção. Dessa forma, alguns desafios que se precisa enfrentar são em relação à armazenagem e a distribuição.

O que é hidrogênio verde?

O hidrogênio verde (H2V) é um tipo de combustível não poluente, ou seja, que não gera emissão de gases que poluem o meio ambiente, como o CO₂.

Para quem não sabe como produz hidrogênio verde, saiba que ele é obtido a partir da quebra das moléculas de água (H₂O) por meio de uma corrente elétrica, vinda de fontes renováveis, como energia:

  • eólica;
  • solar.

Nesse contexto, toda a cadeia de produção do combustível é limpa, por isso, ele é visto como uma alternativa ao uso de fontes como o petróleo, carvão e gás natural.

Também há como produzi-lo a partir da biomassa, embora essa opção ainda não esteja disponível em larga escala. No entanto, existem estudos que buscam viabilizar essa alternativa, o que pode aumentar a disponibilidade.

Por que existem várias cores de hidrogênio?

Os nomes que o hidrogênio recebe tem relação com como o elemento é extraído. Assim, o verde, por exemplo, é derivado da eletrólise, ou quebra de moléculas de água, mas também há outros tipos, como o:

  • cinza, obtido a partir da queima de combustíveis fósseis;
  • turquesa, o qual é produzido a partir do gás metano.
Já ouviu falar em hidrogênio verde?
O hidrogênio verde é uma fonte sustentável, porque não polui a atmosfera. Imagem de kazuend no Unsplash

Quais são os usos para o hidrogênio verde?

O hidrogênio verde pode servir como combustível para veículos elétricos. Em resumo, uma bateria usaria a reação que ocorre entre o H₂ e o oxigênio para gerar energia e mover o motor.

Essa opção tem o potencial de revolucionar o setor de serviços urbanos, como o de transporte, ao criar ônibus movidos com energia 100% limpa, por exemplo.

No ramo do transporte naval, por sua vez, estuda-se a produção de amônia verde, a partir do H2V. Além disso, estudos analisam a possibilidade de impulsionar aviões de pequeno ou grande porte com uso de hidrogênio líquido, ou combustíveis a base dessa substância.

A amônia, inclusive, também é uma substância comum para correção de solo. Por isso, o hidrogênio também pode servir para tornar a indústria de fertilizantes mais sustentável.

Armazenamento de energia

Outro uso para o hidrogênio sustentável é no armazenamento eficiente de energia excedente de usinas eólicas ou solares. Como essas duas fontes estão sujeitas a variações de produção no decorrer do ano, a reserva pode ajudar a manter o fornecimento.

Já ouviu falar em hidrogênio verde?
Um dos usos para o hidrogênio verde é como combustível para veículos. Imagem de Darren Halstead no Unsplash

Quais são as vantagens e as desvantagens do hidrogênio verde?

A principal vantagem do hidrogênio verde é o fato de não gerar poluição, nem durante a produção, tampouco na combustão. Além disso, ele também pode ser armazenado em diferentes estados, como:

  • líquido;
  • gasoso;
  • misturado a outros elementos.

Ele também é uma alternativa versátil, uma vez que possui vários usos, como a geração de energia limpa, como combustível para veículos e até mesmo na produção de fertilizantes.

Quais são as desvantagens do H2V?

Sob o aspecto negativo, vale citar que o custo para produção do hidrogênio ainda é alto, bem como, demanda um gasto de energia maior, quando comparado a outros combustíveis sustentáveis.

Outro ponto de atenção é em relação aos risco de manter a substância em estoque. Isso porque, na forma gasosa, ele é muito volátil e tem alto potencial inflamável. Por isso, uma das alternativas para aumentar a segurança é mantê-lo em estado líquido.

Também é preciso pensar em um uso para o oxigênio que se gera durante a produção do hidrogênio verde. Embora não seja poluente, o excesso desse gás no meio ambiente pode gerar desequilíbrios na natureza.

O Brasil produz hidrogênio verde?

Ainda não há produção de hidrogênio verde no Brasil, mas já existem projetos para a construção de polos de geração desse combustível no país. A expectativa é que esse ramo possa gerar uma receita de U$ 180 bilhões por ano até 2050.

Uma das empresas que já investe nisso é a Unigel, do ramo de fertilizantes, que espera criar uma planta no Polo Petroquímico de Camaçari. A fábrica, com custo em torno de U$ 120 milhões, deve produzir 100 mil toneladas de hidrogênio por ano.

Outros estados do Nordeste, como Ceará e Pernambuco, por exemplo, também já possuem projetos em andamento para instalar pontos de produção desse combustível. A região é propícia para isso, porque conta com usinas eólicas já montadas.

Alto potencial de produção

O Brasil possui um grande potencial para se tornar um dos líderes na produção desse novo insumo. Isso porque, além das fontes de energia renováveis que são abundantes, também é possível gerar hidrogênio a partir da biomassa.

No país, a biomassa já tem uma presença forte na indústria como fonte de energia, mas também é um resíduo útil em algumas cadeias de produção. Dessa forma, empresas poderão passar a usar isso para gerar uma nova fonte de energia.

Com a perspectiva cada vez mais iminente do fim do uso de combustíveis fósseis, além das crises em razão de conflitos, a demanda por esse tipo de recurso deve crescer. Por isso, o país pode se tornar um exportador de hidrogênio para outras nações.

Quais são os desafios para o uso do hidrogênio verde?

Um dos principais desafios para que o uso do hidrogênio verde seja maior ainda é o custo na produção. Enquanto cerca de 5 quilos do cinza custam U$ 1,5, por exemplo, o verde tem um valor entre U$ 4 e U$ 6.

Nesse contexto, é claro que a grande maioria das indústrias pesam mais o orçamento na tomada de decisão. Portanto, ampliar a produção e reduzir o preço final do produto é essencial para que ele se torne mais acessível.

Outro ponto que dificulta o uso amplo desse componente é a distribuição. Afinal, é inviável e até mesmo inseguro transportá-lo em grandes cilindros, em razão do custo e dos riscos de explosão.

Logo, a melhor opção seria o uso de dutos, assim como ocorre com o gás natural, que atravessa fronteiras. Para isso, pode-se usar a estrutura já existente, tendo um custo bem menor do que o da transmissão elétrica.

Certificação verde

Um ponto importante também é a necessidade de certificar de que toda a cadeia de produção é, de fato, limpa. Por isso, os novos pontos de produção tem que ficar em locais onde é possível gerar energia sustentável.

Diego Dias

Diego Dias

Diego Dias é escritor há 22 anos e especialista em SEO há 7 anos, possui mais de 10 mil criações no mundo da redação online e é um apaixonado por produzir conteúdos que levam conhecimento ao público.