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Real Digital: Tudo que você precisa saber sobre a moeda digital brasileira

A moeda digital brasileira é uma realidade? Conforme as diretrizes divulgadas pelo Banco Central, sim. Mas, a moeda digital brasileira é algo que não vemos nos grandes  telejornais, talvez pelo país estar atribulado com problemas, algumas soluções não conseguem um espaço na grade de notícias.

Por isso, nós fizemos e separamos tudo o que você precisa saber sobre o novo projeto do Banco Central, a moeda digital brasileira. Lembrando que é tudo o que sabemos até agora. Seu desenvolvimento leva um tempo.

 

Contexto geral sobre moedas digitais

No ano de 2007 o mundo foi apresentado a uma nova tecnologia, mais precisamente uma nova moeda. Moeda na qual não existia um país que a controlava, não existia um Governo, não existia nem ao menos o verdadeiro nome de seu criador. Não é segredo para ninguém que o bitcoin chegou para revolucionar a maneira de lidar com o dinheiro.

Moeda brasileira. (Imagem: Eduardo Soares/Unsplash)

Com o passar dos anos o mundo dos investimentos olhou cada vez mais para as criptomoedas. Apesar do Bitcoin ser a primeira, a tecnologia blockchain permitiu a criação de inúmeros ativos. Fato é que pessoas enriqueceram através das criptomoedas, e quem teve visão e confiou nas moedas digitais colheram e estão colhendo bons frutos.

A melhor história a ser contada sobre a evolução das criptomoedas está diretamente ligada a duas pizzas grandes. No dia 22 de maio de 2010 um programador da Califórnia, chamado Laszlo Hanycz estava com fome e decidiu utilizar alguns bitcoins para comprar algo para comer. Com isso além de saciar sua fome, mostrava como era possível utilizar o bitcoin no dia a dia.

Assim, Laszlo utilizou 10 mil bitcoins para pagar duas pizzas grandes, o valor da moeda na época era cerca de US$ 0,007. Alguns anos se passaram e o preço do bitcoin chegou a ser US$ 65 mil por unidade. Enquanto essa matéria está sendo escrita um bitcoin equivale a US$ 38.454,70 sendo assim as duas pizzas de mais ou menos 16 pedaços custaram cerca de US$ 383,028,573. Se você quiser acompanhar os valores das pizzas, clica aqui e divirta-se.

A evolução é nítida e ninguém pode negar, nem mesmo os Governos. Cada vez mais as transações são feitas de forma digital, hoje basta um PIX e pronto, o dinheiro já está na sua conta.

E aí vem a pergunta, se já existe o PIX, porque eu preciso do Real digital?

 

PIX ou Real digital? Qual a diferença

Fato que nós brasileiros, assim como o resto do mundo, temos diversas opções para efetuar pagamentos, seja através do PIX, transferências bancárias, cartões de crédito ou débito. Porém, todas essas opções são um sistema de pagamento, ou seja, o papel-moeda foi emitido pelo BC (Banco Central) e alguém o depositou em uma conta, com isso, esse dinheiro começou a circular.

O Real Digital não será um sistema, mas sim o meio de pagamento em si, ou seja, essa moeda será gerada digitalmente e através da tecnologia blockchain irá circular pelo país.

A ideia do BC é reduzir as chances do real ser utilizado para atividades criminosas, como, lavagem de dinheiro, remessas ilegais, etc. Isso ocorre devido à impossibilidade das transferências serem feitas de pessoa para pessoa, será preciso passar por um sistema bancário para concretizá-la. Uma ideia oposta às principais criptomoedas do mercado, as quais pregam descentralização junto a não necessidade de um intermediário em suas operações.

De acordo com o coordenador dos trabalhos sobre moeda digital do Banco Central, Fabio Araujo, o brasileiro poderá escolher como quer manter seus valores nos bancos, seja em real ou real digital.

Banco Central. (Imagem: Reprodução/Remessa Online)

Valores e funcionalidade da moeda digital brasileira

O processo para produção da moeda digital brasileira ainda é inicial, não se sabe se o valor que ela terá será o mesmo do Real. Porém, o BC permitirá que a moeda digital seja convertida para convencional caso seja desejado. Com isso o usuário poderá sacar no banco seu valor em reais digitais sem problema.

De acordo com Araújo “A questão sobre a cotação do real digital em relação ao real convencional ainda não foi definida”. “A questão é muito controversa. Preferencialmente, os bancos centrais internacionais estão adotando a postura de a cotação ser equivalente. Mas temos questões de mercado que estão envolvidas”, citou.

Ao falar em mercado podemos ver diversos países se movimentando para criar sua moeda digital. Além do Brasil temos, Bahamas, China, Estados Unidos, Coréia do Sul e Suécia, com projetos em andamento.

Podemos ver uma verdadeira corrida dos países a fim de obter uma vantagem dentro do novo sistema financeiro mundial. A ideia é que o dinheiro digital permite o desenvolvimento de novas tecnologias e funcionalidades.

Araújo deu um exemplo básico, mas que tranquilamente será realidade em um futuro não tão distante. Imagine uma geladeira que monitore a quantidade de comida disponível. Caso um produto falte, ela poderá entrar em contato com o supermercado e comprar os produtos faltantes com o real digital.

Sendo assim, o dinheiro digital será fundamental para um funcionamento ainda mais completo da “internet das coisas”.

Ou até mesmo transações internacionais seriam facilitadas através da moeda digital, além de baratear os custos para tal função. Isso é tão importante que os Estados Unidos, com medo de perder o posto de maior economia do mundo para China, têm monitorado de perto o desenvolvimento do Yuan Digital. Ao perder o posto, a moeda digital china poderia facilmente substituir o Dólar nas transações internacionais.

Temos que projetar que novos modelos de negócios serão gerados, graças ao poder do digital. A moeda digital brasileira não irá acabar com o real físico, na verdade será mais uma opção para o cidadão. Uma opção que é quase como ter uma conta diretamente no Banco Central, sendo assim quando o BC mudar alguma taxa isso irá influenciar diretamente você e não precisará depender apenas dos bancos.

Fato é, o dinheiro digital fará com que o Governo consiga monitorar melhor as transações feitas por nós, ou seja, a origem do dinheiro e para onde vai estará no blockchain da moeda digital brasileira. Se ideia é ser mais uma opção para o usuário, nós precisamos observar de perto a criação da nossa moeda digital brasileira, a presença da população será fundamental nesse novo futuro.

Escrito por Flávio Carneiro

Engenheiro de Computação apaixonado por Tecnologia e Rapadura desde criança, uniu os dois e criou o Rapadura Tech para fomentar o ecossistema de empreendedorismo e tecnologia. Atualmente lidera um time de desenvolvimento e marketing no Insight Lab. É usuário ativo do Telegram e entusiasta de Inovações e Marketing Digital.