O Ministério do Comércio da China se reuniu em junho com Alibaba, ByteDance e a startup Z.ai para discutir restrições ao acesso estrangeiro aos modelos chineses de inteligência artificial mais avançados. As conversas ainda estão em fase inicial e nenhuma medida foi formalmente anunciada. A notícia foi apurada pela agência Reuters, que falou com três pessoas familiarizadas com o assunto.
O que está em discussão
De acordo com as fontes, as tratativas cobriram três frentes. A primeira é a limitação ao acesso de entidades estrangeiras a modelos chineses, tanto de código fechado quanto os chamados open-weight, que publicam apenas os pesos do sistema para download. A segunda frente é o enquadramento de vazamentos ou roubo de propriedade intelectual de IA pela lei chinesa de segurança nacional, com possibilidade de punição criminal. A terceira é a restrição a aportes de capital estrangeiro em startups chinesas do setor.
Nenhuma empresa chamada se manifestou, e o governo chinês também não respondeu a pedidos de comentário. As fontes disseram que as decisões podem se aplicar apenas a modelos futuros, sem afetar sistemas já publicados.
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O tamanho da indústria envolvida
A Alibaba é responsável pela família de modelos Qwen, a ByteDance pelo Doubao, e a Z.ai, startup que ganhou projeção no Vale do Silício ao apresentar o GLM-5.2 em junho, modelo que a empresa diz ter igualado o Mythos, da Anthropic, em identificação de bugs de software a uma fração do custo, conforme a própria Z.ai comunicou. O caso fundador da expansão global dos modelos chineses continua sendo o R1 da DeepSeek, lançado em janeiro de 2025 e atualizado em maio do mesmo ano, que demonstrou ser possível treinar um LLM competitivo com baixo custo e provocou forte queda no valor de mercado de big techs norte-americanas à época.
A maior parte das empresas chinesas de IA adota o modelo open-weight, publicando os pesos para download. Foi esse formato que viabilizou a penetração global dos modelos chineses, mesmo com um atraso médio de cerca de sete meses em relação ao melhor modelo norte-americano, segundo dados da Epoch AI.
Paralelo com Washington
O movimento de Pequim acontece em paralelo a decisões recentes dos Estados Unidos sobre o tema. Em junho, os EUA restringiram o acesso ao Mythos, modelo de cibersegurança da Anthropic, que segue disponível apenas para empresas e instituições norte-americanas do projeto Glasswing. No dia 30 de junho, controles de exportação sobre o Fable, também da Anthropic, foram suspensos após a empresa submeter as correções solicitadas. Internamente, a própria Alibaba baniu o uso do Claude Code após a descoberta de trechos de código que identificavam usuários chineses por fuso horário e rede, conforme relatos anteriores.
Em abril, o governo chinês já havia bloqueado a aquisição da startup Manus pela Meta, em uma das primeiras aplicações concretas do tratamento da IA como ativo de segurança nacional. O conjunto dos movimentos indica que Pequim tende a endurecer controles sobre tecnologia de fronteira, na mesma direção do que Washington já pratica.
Sem decisão final e sem cronograma, o status legal das medidas chinesas (se virarão decreto, projeto de lei ou regulamento infralegal) e a lista completa de empresas ouvidas, que pode incluir nomes além dos três confirmados, permanecem em aberto.






































