Escassez de chips encarece produção de aparelhos tecnológicos

 Escassez de chips encarece produção de aparelhos tecnológicos

(Ilustração: Thiago Pontes)

Se tem uma coisa que está afetando a produção da indústria mundial é a escassez global de chips. Da cadeia automotiva à produção de smartphones, a presença desses dispositivos é indispensável para o produto final. E sua falta altera todo o mercado, por consequência.

Não é difícil perceber os reflexos dessa crise. Se você precisou comprar um computador, um celular, um videogame ou um carro nos últimos anos, deve ter se deparado com preços altos. E até pode ter tido dificuldade de encontrar o que realmente deseja. E isso não é só por causa da pandemia de covid-19…

Os semicondutores, que são matéria-prima para a produção dos chips, estão em falta em todo o mundo, afetando as diversas linhas de produção. E esse cenário não deve mudar tão cedo. 

Em março deste ano, a Associação da Indústria de Semicondutores da China (CSIA) classificou a falta de chips como “sem precedentes”. “É preciso lembrar que em 1999 houve uma crise semelhante nesta indústria, mas era muito menor”, disse Zhou Zixue, funcionário da CSIA.

A Samsung também se manifestou à época, afirmando que a falta dos semicondutores está criando um “sério desequilíbrio”. A empresa também alertou que estava lutando para atender aos pedidos de chips que fabrica para seus próprios produtos e também para outras empresas.

Disputa

Reza a lenda que um dos primeiros movimentos da escassez de chips foi a sanção aplicada pelos EUA contra a Huawei, ainda em 2019. O governo de Donald Trump alegou preocupações de segurança para banir a companhia do país. Os ânimos entre os dois países estavam acirrados, com uma intensa disputa comercial.

Na época, a Huawei alertou que o governo chinês retaliaria se a regra entrasse em vigor. “O governo chinês não ficará parado vendo a Huawei ser abatida”, disse Eric Xu, presidente da Huawei. 

Essa confusão levou outras empresas chinesas a estocarem componentes, temendo medidas semelhantes que restringissem suas atividades.

Pandemia

Não podemos esquecer que, em 2020, a pandemia trouxe lockdowns e restrições para diminuir a circulação do coronavírus. Com isso, as pessoas passaram a ficar mais tempo em casa, em home office. Isso fez com que investissem em aparelhos melhores.

A alta da demanda de tecnologia foi mais um fator de pressão para a cadeia de suprimentos de chips. 

E sem falar que o investimento em 5G demandou mais silício…

Preço nas alturas

A situação atual é bastante crítica. Os prazos de entrega foram adiados. Faltam máquinas para a fabricação. Com medo de não dar conta da produção, empresas solicitam aos fornecedores chips além do encomendado por clientes. O que aumenta a demanda, aumenta a pressão e aumenta o preço. A bola de neve só cresce.

Suspensão

Teve empresa que suspendeu, em março deste ano, parte de sua produção de veículos nos Estados Unidos e Canadá: a Honda. Isso devido à falta de chips. A empresa disse, em comunicado, que enfrenta uma “série de questões na cadeia de abastecimento relacionados com o impacto da Covid-19, o congestionamento em vários portos, a escassez de microchips e o severo clima do inverno das últimas semanas, especialmente no Texas”.

Futuro?

Como faz para superar essa crise e produzir mais chips? Abrindo novas fábricas. Por isso, Sony e TSMC anunciaram que vão investir US$ 7 bilhões em uma nova fábrica, mas só ficará pronta em 2024. 

É o mesmo caso da Intel: as novas plantas da companhia sairão apenas neste mesmo ano. A consultoria Gartner estima que os investimentos feitos pelas fabricantes de chips chegarão a US$ 146 bilhões este ano, 50% mais do que em 2019.

Então se preparem para os próximos dois anos: os preços continuarão altos.

Hayanne Narlla

Jornalista cearense. Amante do sol e do mar, cultiva o hábito de escrever sobre a vida nos detalhes mais rotineiros. Movida por novos desafios e curiosa desde a infância, gosta de aprender sobre inovações e empreendedorismo. Nas horas livres, reflete e teoriza sobre o universo da música e do cinema. Acredita que é preciso ser útil e deixar rasto.

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