Modelo MoE apresentado como aberto pela startup chinesa já está disponível em produtos Kimi; pesos completos devem ser liberados até 27 de julho.
A Moonshot AI lançou em 16 de julho de 2026 o Kimi K3, um modelo de IA com 2,8 trilhões de parâmetros, arquitetura Mixture of Experts (MoE), recursos nativos de visão e janela de contexto de 1 milhão de tokens. A empresa afirma que ele é o primeiro modelo aberto a chegar à escala de 2,8 trilhões de parâmetros.
Na página oficial de apresentação do Kimi K3, a Moonshot informa que o modelo usa Kimi Delta Attention e Attention Residuals, duas mudanças arquiteturais voltadas a lidar com sequências longas e profundidade de rede. Na prática, o modelo ativa 16 de 896 especialistas quando combinado ao framework Stable LatentMoE, em vez de usar todos os parâmetros a cada inferência.
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A Moonshot diz que o conjunto de mudanças trouxe ganho aproximado de 2,5 vezes em eficiência de escala em relação ao Kimi K2. O anúncio também descreve Kimi Delta Attention como uma técnica de atenção linear híbrida, enquanto Attention Residuals recupera representações ao longo da profundidade do modelo em vez de acumular informação de forma uniforme.
O Kimi K3 já pode ser usado no Kimi.com, Kimi Work, Kimi Code e na API da empresa. No lançamento, o modelo opera por padrão com “max thinking effort”, com modos de baixo e alto esforço previstos para atualizações posteriores. A Moonshot afirma que os pesos completos do Kimi K3 serão liberados até 27 de julho de 2026, junto com mais detalhes de arquitetura, treinamento e avaliações no relatório técnico.
O que há de novo na arquitetura
A principal aposta técnica do Kimi K3 está na combinação entre escala, esparsidade e contexto longo. Em modelos MoE, apenas parte dos especialistas é acionada para cada entrada, o que permite aumentar o número total de parâmetros sem elevar proporcionalmente o custo de inferência.
No caso do Kimi K3, a Moonshot afirma que a ativação de 16 especialistas entre 896 ajuda a sustentar tarefas de programação, raciocínio e trabalho com grandes volumes de informação. A janela de 1 milhão de tokens coloca o modelo em uma faixa voltada a repositórios extensos, documentos longos e fluxos de agentes que precisam manter contexto por muitas etapas.
Fonte oficial: anúncio do Kimi K3 no blog da Moonshot AI/Kimi.
Foco em código e trabalho agentivo
A empresa posiciona o Kimi K3 para tarefas de programação de longa duração, uso de ferramentas de terminal e navegação por grandes bases de código. Nos testes divulgados pela própria Moonshot, o modelo foi usado em otimização de kernels de GPU, desenvolvimento de um compilador estilo Triton, criação de jogos 3D no navegador e experimentos de design de chips.
Em um dos casos descritos, o Kimi K3 reduziu o tempo de uma operação AttnRes de 283,6 ms para 114,4 ms após 15 horas de iterações. Em outro, desenvolveu o MiniTriton, um compilador compacto com camada própria de representação intermediária sobre MLIR, passes de otimização e geração de código PTX. Esses resultados ainda dependem de validação externa, já que foram apresentados no material da própria empresa.
A Moonshot também afirma que o Kimi K3 tem desempenho competitivo em tarefas que combinam software e visão, como frontend, CAD e desenvolvimento de jogos. O recurso de visão nativa permite ao modelo usar capturas de tela e imagens como parte do ciclo de depuração e ajuste de código.
Modelo aberto, mas com ressalvas
A Moonshot afirma que o Kimi K3 ainda fica atrás dos modelos proprietários mais fortes, citando Claude Fable 5 e GPT 5.6 Sol como referências superiores em desempenho geral. Mesmo assim, a empresa diz que o Kimi K3 superou os demais modelos testados em sua própria suíte de avaliação.
Esse ponto é importante porque o anúncio chega antes da publicação do relatório técnico completo e antes da liberação dos pesos prometidos. Até que os pesos, a metodologia de avaliação e os detalhes de treinamento estejam disponíveis, as comparações devem ser lidas como resultados reportados pela Moonshot, não como consenso independente.
Para desenvolvedores e empresas que acompanham modelos abertos, o Kimi K3 amplia a disputa em uma frente que combina escala extrema e uso agentivo. O próximo passo será a liberação dos pesos completos e do relatório técnico, que devem permitir testes independentes sobre desempenho, custo de execução e limites reais do modelo.






































