E se você pudesse ser dono do Lakers em 1940?

 E se você pudesse ser dono do Lakers em 1940?

(Imagem: WolfWolfWolf | Pixabay )

Com o aprofundamento financeiro causado pela diminuição das taxas de juros e maior necessidade de inserção de risco nas carteiras, os investidores inevitavelmente começaram a explorar outros segmentos em busca de obter uma carteira com maior potencial de retorno. 

Aliado à conjuntura econômica ( falando de Brasil apenas) o momento social vivido nos últimos anos com confinamento social trouxe luz ao entendimento de que o mercado de e-sports é no mínimo bastante promissor. Alguns investidores do segmento colocam o mercado como o centro do chamado “metaverso” — confira aqui uma matéria do Rapadura Tech sobre o tema —, mas a questão central sobre o mercado de e-sports é que sob qualquer métrica de análise ainda é um mercado incipiente com modelos de negócio em desenvolvimento e ainda assim consegue ter um share of attention — quanta atenção do consumidor eles capturam em relação à concorrência durante um período de tempo específico — maior que o das grandes mídias juntas ( música e cinema).

Entendendo o Mercado de E-Sports

O melhor jeito de começar a entender um mercado é mapeando a sua cadeia de valor: a imagem acima explica de maneira resumida a cadeia de valor do mercado e como é a entrada de fluxo financeiro e a relação com os usuários finais.

Os publishers são responsáveis por desenvolver e publicar jogos, esse é um negócio de alto risco na medida que incorre em custos fixos altos para pagar as equipes altamente especializadas de desenvolvimento e manutenção dos jogos (servidor, correção de bugs, etc). Assim, mesmo sendo projetos em sua maioria de longo prazo não há como ter certeza da aceitação do público no resultado final.

Os publishers são como Charles Miller (o inventor do futebol moderno), que ganham royalties quando as pessoas  praticam os respectivos esportes que elas inventaram. O que é mais legal sobre esse primeiro ente da cadeia de valor do mercado é que, com a digitalização da cadeia de consumo e das plataformas, o efeito da cauda longa passou a ser mais presente no mercado fazendo com que pequenas produtoras de jogos indie agora passem a ter acesso facilitado ao seu público, tornando-as negócios mais atraentes do que eram nas últimas décadas. Afinal, além de futebol , basquete, vôlei e outros esportes mainstream sempre haverá bocha, peteca, badminton, etc…

As franquias e eventos de e-sports são um paralelo óbvio com a Eurocopa, Copa do Mundo e Liga dos Campeões da UEFA. Você gostaria de comprar ações da Liga dos Campeões da UEFA? Aposto que sim, um negócio com grande barreira de entrada, público consumidor crescente, movimenta uma quantidade absurda de dinheiro anualmente e permite o alcance de monetização com mercados adjacentes ( merchandising, patrocínios, direitos de transmissão, licenciamento de marca, etc).

A diferença para os esportes tradicionais é que os eventos de e-sports fazem uso da tecnologia nativa ao seu mercado para alavancar potencial de monetização. Tokenização e precificação variável de acordo com experiências personalizadas são uma maneira muito criativa de monetizar uma audiência global e engajada que é muito mais difícil de serem replicados em esportes tradicionais.

Como saber no que está investindo

O ponto, entretanto, que mais me chama atenção enquanto investidor é o potencial de ser dono de um time de e-sports. Na minha visão é o equivalente a poder comprar os Chicago Bulls em 1940 e avançar a velocidade do tempo.

Explico: ao contrário dos esportes tradicionais que surgiram e ganharam força regionalmente, o mundo globalizado e digital permite o avanço acelerado de tendências e massificação intensificada de mercados.

Qual o corolário lógico de tal conclusão? A final do campeonato mundial de League of Legends (um jogo lançado em 2009) de 2019 teve audiência ao vivo maior do que a final da NFL (liga de futebol americano) do mesmo ano. Repetindo: um jogo lançado em 10 anos conseguiu ter a mesma audiência de uma das franquias de esporte mais midiáticas do mundo sendo desenvolvida desde 1920.

Qual é a grande oportunidade em ser dono de um time de e-sports? O mercado ainda é novo e assim como nos esportes tradicionais deve ter efeito rede local, o que significa que haverão Flamengos, Barcelonas e Real Madrids dos e-sports (clubes com força regional como vantagem primária e alavancando essa força para gerar alcance global a partir de suas lideranças competitivas), mas a com a diferença de os clubes nascem como empresas criadas por empreendedores com o objetivo de dar lucro desde o dia 1. 

No Brasil especificamente onde o alcance do uso de celular é massivo e o mercado de redes sociais é um dos maiores do mundo, há bastante oportunidade de alavancar o senso inerente de comunidade que o mercado de e-sports naturalmente constrói, e usar o alcance dessas comunidades como modelo de negócios. Plataformas como Loud e Final Level vêm tentando fazer isso, mas há bastante espaço para novos players e modelos de negócio. O mercado de times de e-sports vem sendo observado de perto por grandes empresas de consumo como forma de alavancar a marca a partir do entendimento que e-sports é a mídia do futuro (ou será do presente?)

Vitreo, XP e Itaú recentemente criaram fundos para dar acesso ao investidor de varejo a esse mercado, mas acreditamos que o verdadeiro potencial de multiplicação de capital se encontra no segmento de private equity e growth capital.

Na JBR temos estudado a fundo o desenvolvimento desse mercado no Brasil e buscado entender quais são as melhores oportunidades. Temos nos aliado com os melhores empreendedores em busca de conectá-los aos melhores investidores. Para quem gosta de ver o futuro sendo escrito na sua frente, tem sido uma maravilhosa jornada rumo ao desconhecido.

For those about to rock we salut you!

Farley Ramos

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